"Alma, vida e poesia, tempo e pessoas queridas! Jornadas de tantos suores e de tantas alegrias!"

Caros amigos!

Bem vindos ao meu fogão virtual. Aqui vou manter atualizado sobre minhas andanças, fotos e trabalhos novos que venho escrevendo. Convido todos a participar, deixar recados e mandarem e-mails se quiserem!

Um grande abraço a todos e boa viagem por entre essas linhas...

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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Theatro

Apagaram-se as luzes do Theatro

Esquecí quem eu sou

D’um ímpeto me brota d’alma

Instinto mostrando o rumo que vou

 

Não finjo, não nego, eu mostro

Aquilo que assim vem

Não sei de onde me brota

E anota

O tino que tem

 

São Pedro das peças formosas

Das noites ermosas

De som e de luz

Queria ver-te outra época

Mas o destino é aquele

Que assim me conduz

 

Conduzo também mão de moça

Que tensa e ansiosa

Explendor nunca viu

Alegre lhe mostro as verdades

Do teatro e da arte

Que assim me surgiu

 

Meu bem, que ingênua, que bela

Donzela

Dos sonhos de amor

A orquestra assim impressiona

E a música chama

De bem ou de cór

 

Vontade própria – meus versos

Não impeço

O seu caminhar

Sei das palavras que escrevo

Destino certeiro

Pro teu agradar

 

Porto Alegre, agosto de 2010

sábado, 2 de outubro de 2010

Distância

 

Quando a saudade se agranda
Tu invades meus poemas
Escrevo tua pele serena
Sinto o calor do teu olhar
Luiza1
As horas fazem pensar
Nesta saudade morena
Nesta tua boca plena
De carinhos a me dar

Quando chega a noite fria
Mateio assim... solito
Navego nos pensamentos
Nos teus braços faço ninho
Fico vagueando na mente
Nas lembranças mais ermosas
Quando estás aqui comigo
Acabo esquecendo das horas

sábado, 28 de agosto de 2010

Carroceiro

Rédeas de corda, sem par nem comprimento

Vem desgastadas, já puídas pelo uso

Carreteando ele faz o seu sustendo

A vida pobre não deixou outro recurso

 

Entrestecido vê os outros à sua volta

Quando businam ou olham atravessado

Achando que bem fosse sua escolha

De viver desse jeito amargurado

 

Carreteiro, na família vai pensando

Não deixar um outro dia sem ração

O piazito faminto e sugismundo

A quem pensa um dia em dar educação

 

E observa vinhos finos, mesa farta

E não entende como alguem pode passar

Despercebido frente à face da miséria

Ou não tem tempo para isso analisar

 

Quantos valores deturpados hoje vemos

E quanta gente sem ganas de trabalhar

Quisera todos creêrem que o futuro

Do país é algo bom para lutar


 

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Leaving Lubbock

 

It’s time to saddle up

And compose my saddle bag

Full of stories I will return

To sing on my way back

 

When I look back on my shoulder

And see what I have done

Many dreams I’ve realized

Over all this year long

                        

And listening to the rhythm

Of the hooves on the floor

I think “behind I am leaving

Home, friends and much more”

 

Like iron branding cattle

Leaving marks on the hide

Lubbock will be for me

A time to take for life

 

Many friends, many memories

And no moments to forget

Lots of joy I found here

And some day I will come back.

 

Lubbock, TX

Marcelo Wallau, June 2010

IMG_0536

Homenagem aos 91 anos da Sociedade Rural de Sant’Ana do Livramento

IMG_2197No dia 19 de julho houve uma janta no Movimento Nativo Coxilha de Sant’Ana em homenagem aos 91 anos da nossa Sociedade Rural. Nesse evento, o Núcleo Jóvem da Rural, presidido pelo meu grande amigo Bento Brochado, participou ativamente e eu fui honrado com o pedido de uma poesia para homenagear esses tauras precursores da nossa sociedade rural. Bento e Matheus Ribeiro também fizeram algumas coplas enquanto eram entregues os mimos dedicados aos produtores mais velhos.



Homenagem à Rural

“Los hermanos sean unidos

porque ésa es la ley primera

IMG_2171

tengan unión verdadera

em cualquier tiempo que sea

porque sy entre ellos pelean

los devoran los de ajuera”*

Relato aqui num recuerdo

Que assim Martin Fierro diria

Por conhecer bem e a fundo

O homem das pradarias

Pois já previa as tendências

Da moderna sociedade

Sabia que precisamos

Trabalhar com seriedade

Dos alicerces primitivos

Do gaúcho em suas coxilhas

Respeito, honra e bravura

Nos ideais Farroupilhas

Despertou um sentimento

De classe, sangue e razãoIMG_2168

Juntar-se pra como um todo

Defender o nosso chão

E dos verdes campos vastos

Da nossa Sant’Ana querida

Viu-se a necessidade

De ter sociedade unida

Criou-se uma associação

Pra ver sonhos verdejar

Prosperidade neste chão

E causas para lutar

Viu-se no campo nativo

Espécies juntas convierem

Todos em prol de uma causa

Juntos para produzirem

Novas idéias, novos rumos

E interesses no horizonte

IMG_2172Trazendo assim o futuro

E o progresso de reponte

Quantos homens de estirpe

Aqui se fazem memória

E colocaram Livramento

Nas páginas de nossa história

Quantos vultos do passado

Influências do presente

Aqui a deixar legado

Para o futuro desta gente


Sant’Ana tem história e tem razão

Povo forte, peleador e aguerrido

Defendendo a pátria, Farroupilha coração

Não importa de onde venha o inimigo.

Não deixemos nossa força esmorecer,

Nem deixemos nosso nome se apagar,

Vamos juntos trabalhar para crescer

E no futuro gerações sempre inspirar.

O meu agradecimento e reconhecimento pelo legado deixado por esses tauras...

Saludos,

Marcelo Osório Wallau

São José do Sarandi, Sant’Ana do Livramento

Inverno de 2010.

*Fragmentos de Martin Fierro, de Jose Hernandez

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Sem título…

Tu que inspiras meus poemas
ilumina minhas estrelas
esquenta meus dias frios.
Tu que não sabes quanto a amo
que não vens quando te chamo
por quem meu rosto se fez rio...

Tu que ingrata me domina
cujo rumo é minha sina
não percebes que assim vou eu
A ti que cabe a melodia
a ti que a rima referia
até parece que em mim morreu

Tu que não me destes mais notícias
que não me miras com malicia
como antes de me conhecer
Tu luz das noites escuras
tu fruta não bem madura
se fez difícil sem ti viver

Por ti que me arrependo dos pecados
que juro por mais sagrado
a minha fiel devoção
Agora que roubaste e brincaste
que traiçoeira abandonaste
deixou só meu coração

Tu do sorriso hospitalheiro
dos verdes olhos faceiros
que me fez assim cantar
Quando tinha nos meus braços a verdade
do teu rosto só saudade
ficou para me consolar

E o retrato na parede do meu quarto
que me olha tão ingrato
toda a vez que penso em ti
Eu vou tirar, e guardá-lo na memória
vou deixar-te na história
pois esquecer-te decidi...

 

Lubbock, TX, dezembro 2009.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Texas, por Borges

When I first came to Texas people here use to ask me if I was homesick, how was I feeling about being here away from my place. I always answer that I am really ok because I feel like at home here. Jorge Luis Borges also had this same feeling and following is a poem that he wrote when he came to the south plains. I want to share with you this beautiful poem by Borges:

 
Texas
 
Aquí también.
Aquí como en el otro
Confín del continente, el infinito
Campo en que muere solitario el grito;
Aquí también el indio, el lazo, el potro.
Aquí también el pájaro secreto
Que sobre los fragores de la historia
Canta para una tarde y su memoria;
Aquí también el místico alfabeto
De los astros, que hoy dictan a mi cálamo
Nombres que el incesante laberinto
De los días no arrastra: San Jacinto
Y esas otras Termópilas, el Álamo.
Aquí también esa desconocida
Y anciana y breve cosa que es la vida.
_________________________________________________________

Here too.

Here, as on the other extreme of the continent

-- the southernmost frontier -- the infinite field where the solitary yell dies.         

Here too the Indian, the lasso, the bronco.

Here too the secret phoenix that beyond history's uproars sings to an evening and its imprint on life;

Here too the mystic alphabet of the stars that today dictates to my quill names the incessant labyrinth of life refuses to sweep away:    

San Jacinto and that other Thermopylae, the Alamo.

Here too, that unknown and anxious and brief thing that is life.




segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Andanças... aprendizados...

Tenho aprendido com a vida
Em mim a achar respostas
Vejo que o mundo gira
E assim pego a volta
Vejo nos olhos dos outros
Medo do inusitado
Vejo que o tempo cura
Todos os males do passado

Confio no meu destino
Assim luto e tenho fé
O que quero vou conquistando
Com vontade e com suor
A força que trago nos braços
Me vem de dentro do peito
Pois é de berço que trago
O meu orgulho e respeito

Quando escolho minha estrada
Sigo com passo firme
Vou aprendendo com a jornada
Tudo que o mundo ensina
Observo à volta nos detalhes
Me aproximo de gente
Pois se cerca do positivo
Quem quer ir para frente

O mundo é as vezes nebuloso
Hay que querer enxergar
Tem que ter força de vontade
Para assim o sucesso alcançar
Me olho, paro, analizo,
Remôo as coisas que vi
Assim aprendo comigo
O que não ensinam por ai

As palavras me saem dos lábios
Mais despacio que as recebo
Meus olhos procuram à volta
Por mais um ensinamento
Onde cruzo deixo rastros
Fico feliz com o que sou
Deixo sempre a porteira aberta
Para voltar por onde vou

Lubbock, TX, set - 2009

domingo, 5 de julho de 2009

Poesia...

Criei raízes profundas
No substrato da vida
Criei mágoas infundas
No sentimento sentidas
Criei ramos de experiência
Colhi frutos de verdade
Me afastei da querência
E adubei a saudade

A estrada é meu destino
Andar, o meu sustento
Vejo o mundo quando gira
Vejo pessoas por dentro
A amizade se contida
Na essência de um ser
Traz legados e recuerdos
Vai nos fazendo crescer

Dos ramos eu faço galho
Novas folhas, novas flores
Aumenta a copa e a sombra
Gera cores e amores
Sou vento, sou peregrino
Não sou pedra nem torrão
Levo cheiros do meu pago
Não enraízo no chão

Sou chama de labareda
Queimando pelo saber
Sou fogo vivo que chega
Pra doutras fontes beber
Sou pau de cerne forte
Que nem por vento se rende
Sou flor de pólen leve
Por ai a deixar semente...

Só os loucos amam

Só os loucos amam
por que precisa ser louco
para dar de tudo por uma mulher.
Só os loucos amam
por que precisa ser louco
para abdicar da vida por uma mulher.
Só os loucos amam
por que só os loucos não sabem
o valor do dinheiro,
o valor do tempo
pois dão de tudo
e esperam a vida
por uma mulher!
Por uma mulher...

(ai me pergunto o quão louco já fui
ai me pergunto se já amei...)

Só os loucos amam
por que precisa ser louco
para entender o que é o amor.
Só os loucos amam
por que precisa ser louco
para jogar-se aos pés de uma mulher.
Só os loucos amam
por que só os loucos sabem (e entendem)
a dor da saudade,
a cor da esperança.

Só os loucos amam.
Quisera eu
ser um louco também!!!


Porto Alegre, maio de 2009

Poesia...

Meus versos que versejo em voz de veto
Vão velozes e verozes pelo vento
E vendo assim vigente a voz do povo
Versando o que não viram e vogar
Volátil a verdade, e o veredicto
Vigora, verdejante e vingativo