"Alma, vida e poesia, tempo e pessoas queridas! Jornadas de tantos suores e de tantas alegrias!"

Caros amigos!

Bem vindos ao meu fogão virtual. Aqui vou manter atualizado sobre minhas andanças, fotos e trabalhos novos que venho escrevendo. Convido todos a participar, deixar recados e mandarem e-mails se quiserem!

Um grande abraço a todos e boa viagem por entre essas linhas...

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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Homenagem aos 91 anos da Sociedade Rural de Sant’Ana do Livramento

IMG_2197No dia 19 de julho houve uma janta no Movimento Nativo Coxilha de Sant’Ana em homenagem aos 91 anos da nossa Sociedade Rural. Nesse evento, o Núcleo Jóvem da Rural, presidido pelo meu grande amigo Bento Brochado, participou ativamente e eu fui honrado com o pedido de uma poesia para homenagear esses tauras precursores da nossa sociedade rural. Bento e Matheus Ribeiro também fizeram algumas coplas enquanto eram entregues os mimos dedicados aos produtores mais velhos.



Homenagem à Rural

“Los hermanos sean unidos

porque ésa es la ley primera

IMG_2171

tengan unión verdadera

em cualquier tiempo que sea

porque sy entre ellos pelean

los devoran los de ajuera”*

Relato aqui num recuerdo

Que assim Martin Fierro diria

Por conhecer bem e a fundo

O homem das pradarias

Pois já previa as tendências

Da moderna sociedade

Sabia que precisamos

Trabalhar com seriedade

Dos alicerces primitivos

Do gaúcho em suas coxilhas

Respeito, honra e bravura

Nos ideais Farroupilhas

Despertou um sentimento

De classe, sangue e razãoIMG_2168

Juntar-se pra como um todo

Defender o nosso chão

E dos verdes campos vastos

Da nossa Sant’Ana querida

Viu-se a necessidade

De ter sociedade unida

Criou-se uma associação

Pra ver sonhos verdejar

Prosperidade neste chão

E causas para lutar

Viu-se no campo nativo

Espécies juntas convierem

Todos em prol de uma causa

Juntos para produzirem

Novas idéias, novos rumos

E interesses no horizonte

IMG_2172Trazendo assim o futuro

E o progresso de reponte

Quantos homens de estirpe

Aqui se fazem memória

E colocaram Livramento

Nas páginas de nossa história

Quantos vultos do passado

Influências do presente

Aqui a deixar legado

Para o futuro desta gente


Sant’Ana tem história e tem razão

Povo forte, peleador e aguerrido

Defendendo a pátria, Farroupilha coração

Não importa de onde venha o inimigo.

Não deixemos nossa força esmorecer,

Nem deixemos nosso nome se apagar,

Vamos juntos trabalhar para crescer

E no futuro gerações sempre inspirar.

O meu agradecimento e reconhecimento pelo legado deixado por esses tauras...

Saludos,

Marcelo Osório Wallau

São José do Sarandi, Sant’Ana do Livramento

Inverno de 2010.

*Fragmentos de Martin Fierro, de Jose Hernandez

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Fim de Romance

(Leitura de um quadro de Antônio Parreiras, Final de Romance, 1912, Pinacoteca de São Paulo)

Foi numa estrada deserta
Num fim de dia nublado,
Viu-se um cavalo encilhado
Nenhum ginete por perto.
Bem aperado pra lida
Parado feito estátua
Quem de longe enxergava
A cena não entendia

Mas quem se aproximava
Sentia o cheiro de sangue
E via no mesmo instante
Que a cena não acabava.
Um par de botas estendido
E o cavalo de rédeas soltas
Tinha a cabeça baixa
Cheirando um vulto no chão

A garrucha desarmada
Num último rástro de pólvora
E o seu destino comprova
Que a vida não vale nada
Por causa de amor
Se findou pra um a estrada
A camisa agora encarnada
Também mancha o corredor

E o colorado, pobre parceiro
Como velando um amigo
Parado, sem entender o sentido
Deste fim por sofrimento
Parecia não creer
No que via a sua frente
Como esperar que o ginete
Ainda voltasse a viver

O que deixara no rancho
Além de ausência e saudade
E a erva azeda de um mate
Que deixara antes de ir?
O pelego que curtira
Para ela de regado
Junto de um ramo de flores
E de um violão calado

E por um amor esquecido
Ou falta de um bem querer
Um gaúcho decide morrer
Por um fim sem sentido
Fora a última encilhada
Pra ver a prenda domingo
Por um romance perdido
Foi o fim da sua estrada

São Paulo, SP, Junho de 09
Lubbock, TX, Outubro de 09



segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Andanças... aprendizados...

Tenho aprendido com a vida
Em mim a achar respostas
Vejo que o mundo gira
E assim pego a volta
Vejo nos olhos dos outros
Medo do inusitado
Vejo que o tempo cura
Todos os males do passado

Confio no meu destino
Assim luto e tenho fé
O que quero vou conquistando
Com vontade e com suor
A força que trago nos braços
Me vem de dentro do peito
Pois é de berço que trago
O meu orgulho e respeito

Quando escolho minha estrada
Sigo com passo firme
Vou aprendendo com a jornada
Tudo que o mundo ensina
Observo à volta nos detalhes
Me aproximo de gente
Pois se cerca do positivo
Quem quer ir para frente

O mundo é as vezes nebuloso
Hay que querer enxergar
Tem que ter força de vontade
Para assim o sucesso alcançar
Me olho, paro, analizo,
Remôo as coisas que vi
Assim aprendo comigo
O que não ensinam por ai

As palavras me saem dos lábios
Mais despacio que as recebo
Meus olhos procuram à volta
Por mais um ensinamento
Onde cruzo deixo rastros
Fico feliz com o que sou
Deixo sempre a porteira aberta
Para voltar por onde vou

Lubbock, TX, set - 2009

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Chasque para o peão novo

O cavalo sempre foi
Do peão a outra metade
Parceiro de lida e cancha
Companheiro sempre às ordens
Costumes e aperos
De norte a sul se diferem
Mas os cuidados são os mesmos
E a isso se referem

Cuidar da cavalhada é vital
Saúde, pelo, crina e casco
Higiene e estado corporal
Nem gordo, nem muy delgado
Se está pesado – adelgaçar
Pois cavalo é um atleta
Se fraco, deixe descançar

Observe crina e casco
É bom aparar se grande
Se não conhece os aprumos
Peça para alguem que saiba
Cavalo de casco torto
Fica manco e tropicão
Perde confiança nas pedras
Se o mole tocar no chão

Para encilhar o cavalo
Hay que prestar atenção
Veja se o lombo está lindo
Antes de por o chergão
Rasqueta ou qualquer escova
Já fazem um bom serviço
Tira a escarra do lombo
Pro basto sentar no limpo


Andar de arreio frouxo
É coisa de quem não sabe
A cincha do peito pra diante
Se afrouxa, aperta e segue
Arreio firme, lombo limpo
Evitam cavalo pisado
Agora, se o basto é ruim
Hay que de pronto trocar-lo!

Cada um tem seus cavalos
Assim funciona a tropilha
Se tem lombo pisado
Se sabe de qual a encilha
Não se judia tão pouco
Cavalo se bem tratado
É de confiança de todos
Não fica sestroso e assustado

Quando findado o serviço
Tira o freio, desencilha
Trata bem este amigo
Sustento de tua família
Se o lombo estiver suado
Larga, por cima, uma água
Se o dia for escaldado
Deixa secar à sombra

Assim tens amigo para sempre
E parceiro pra qualquer lida
Cavalo se bem tratado
É sempre pronto, não refuga
Outra coisa companheiro
Não deixe balda e mania
Tenha arreio bom e arrumado
Não deixe uma anarquia

Se seguir o que te digo
E mas as coisas que aprende
Vai te dar bem na lida
E a qualquer sinal atente
Assim acabo esse chasque
De como encilhar um cavalo
É recomendação do patrão
Pro peão recém chegado
Lubbock, TX, Sept. 2009

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Tango...

Mi Buenos Aires, yo te vi hoy en mi sueño
Y me acordé de tu sonido bandoneón
Tus recuerdos vinieron llenos de esperanza
De encontrar la que quitó mi corazón

Esta voz de tango me emociona
Y por la calle sigo sin rumbo a cantar
Las estrellas hacen la noche serena
Tengo la luna a alumbrar mi caminar

Y esto tango – tantos tangos, he cantado
Que por la vida fueron mi rumbo y pasión
Y esta alma que añora melodías
Hizo las claves con sangre y corazón

Por las calles yo me voy tan peregrino
Buscando sueño y algún amor hallar
Mis pensamientos solo van en tu sentido
Y tu fragancia, sin embargo, añorar

Sos mucho más, y siempre más para mi vida
Sos como el alma de guitarra y bandoneón
Cuando te toco hago gemir a las primas
Y vos haces mucho más a mi canción

Pues no sabes como me has hecho gustarte
Y sin embargo para vos voy a cantar
¡Intento, sin suerte, por un rato olvidarte
Y a Buenos Aires jamás yo regresar!

Porto Alegre
21-marzo-2009

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Morena

Morena dos olhos da noite
Tu traz em reponte
Alguns sonhos meus
Os negros cabelos
E o dorso tão belo
É o charme que Deus te deu

Morena tímida e bela
Dos olhos de gueixa
A me enfeitiçar
Que guardas algum mistério
Oblíquo e sereno
Neste teu olhar

Morena que o doce veneno
Dos teus lábios plenos
De amor a me dar
Bulbica os teus feitiços
Junto ao meu ouvido
Para me roubar

Morena das claves de lua
Estrela xirua
De um mar de ilusão
Teu corpo é a melodia
Junto à poesia
Do meu coração

Morena da pele macia
Das mãos que eu queria
Assim conduzir
Morena que encanta e domina
Tu és minha sina,
Não posso fugir...

Porto Alegre, 2008

domingo, 5 de julho de 2009

Cerca de pedra moura

Cerca de pedra moura
Costeio de tropa larga
É madrinha das estradas
Do Rio Grande altaneiro
Foi o rumo do tropeiro
E trincheira em emboscada

Taipa que foi outrora
O reponte do progresso
Das invernadas o começo
Sustento dos matadouros
Quando o charque e o couro
Valiam mais que agora

Com a bárbara engenharia
De um material primitivo
O conhecimento instintivo
De noções de arquitetura
Fizeram da pedra dura
Um passo evolutivo

Do negro que te construiu
De sol a sol a preceito
Tinha a força e o jeito
No peito a raça bravil
Mas sem do açoite respeito
De alicerce muito serviu

Que dura a vida do escravo
Sem poder contestar
Mas sempre a sustentar
O futuro do Rio Grande
Forjado a ferro e sangue
E a pata de cavalo

Taipa que foi sestiada
E abrigo do andante
Onde a tropa se escora
E facilita a ronda
Pra que do frio se esconda
Quem vem judiado de estrada


As porteiras de vara
E a mangueira redonda
Onde o potro a doma encontra
E o gado não dispara
E pela mão do paisano
Deixa de ser orelhano

Cerca que ganha vida
Na minha imaginação
Pois te faço recordação
Dos tempos de ou tras lidas
Quando tropas d’outros pagos
Cruzavam no teu costado

Te olho no horizonte
Cerca de pedra empilhada
Que costeia a estrada
Adiante do sol poente
Que vai despacito apeiando
Ao final de outra campereada

Te vejo assim no reponte
Das lembranças mais antigas
Onde o passado e o presente
Se funde em nostalgia
E o tempo reverencia
Ó Cerca de Pedra valente!

Gurupí (TO) 05-02-2005
Revisão maio-2007

Sina de Potro

Perdeu a serventia no campo

E pediu por um perdão

Mas o destino foi traiçoeiro

Não lhe deu outra opção

Partiu a tíbia no meio

Numa rodada de azar

E estendeu o pescoço

Sem ganas de suplicar


Que mala a vida de um potro

Se seu destino é cruel

Dar o garrão a um outro

Que sacrificou um dos seus

A este bravo resta a sina

De ser fiel sempre que pode

Pois mostrou sua serventia

Mesmo depois da morte


Quem sabe a alma deste campeiro

Não dê adeus e não vá além

E ajude o seu parceiro

Que um pedaço de si retém

E os ferros que ele outrora

Sem outra escolha o gosto provou

Junto ao que resta ostenta agora

A mesma espora que seu couro marcou


Será que a alma desse guerreiro

Partiu-se junto em devoção

Igual à lonca que se fez tento

E ganhou vida nalguma mão

Ou o tento foi pra pontear

Do peão triste o coração

Que se partiu ao ver ficar

Seu parceiro estendido no chão


Porto Alegre, março de 2008