"Alma, vida e poesia, tempo e pessoas queridas! Jornadas de tantos suores e de tantas alegrias!"

Caros amigos!

Bem vindos ao meu fogão virtual. Aqui vou manter atualizado sobre minhas andanças, fotos e trabalhos novos que venho escrevendo. Convido todos a participar, deixar recados e mandarem e-mails se quiserem!

Um grande abraço a todos e boa viagem por entre essas linhas...

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Texas, por Borges

When I first came to Texas people here use to ask me if I was homesick, how was I feeling about being here away from my place. I always answer that I am really ok because I feel like at home here. Jorge Luis Borges also had this same feeling and following is a poem that he wrote when he came to the south plains. I want to share with you this beautiful poem by Borges:

 
Texas
 
Aquí también.
Aquí como en el otro
Confín del continente, el infinito
Campo en que muere solitario el grito;
Aquí también el indio, el lazo, el potro.
Aquí también el pájaro secreto
Que sobre los fragores de la historia
Canta para una tarde y su memoria;
Aquí también el místico alfabeto
De los astros, que hoy dictan a mi cálamo
Nombres que el incesante laberinto
De los días no arrastra: San Jacinto
Y esas otras Termópilas, el Álamo.
Aquí también esa desconocida
Y anciana y breve cosa que es la vida.
_________________________________________________________

Here too.

Here, as on the other extreme of the continent

-- the southernmost frontier -- the infinite field where the solitary yell dies.         

Here too the Indian, the lasso, the bronco.

Here too the secret phoenix that beyond history's uproars sings to an evening and its imprint on life;

Here too the mystic alphabet of the stars that today dictates to my quill names the incessant labyrinth of life refuses to sweep away:    

San Jacinto and that other Thermopylae, the Alamo.

Here too, that unknown and anxious and brief thing that is life.




Mais andanças por fazendas

Buenas pessoal!!

Desculpem minha ausência das letras, mas esses úiltimos dias tenho corrido um pouco mais que o normal e a inspiração não andava muito no meu costado. Mas bueno, desse último mês tem bastante histórias, vou contando elas despacito em diferentes posts para não enjoarem de ler.

Primeiramente quero agradecer o apoio de todo o pessoal ai do Brasil e aqui dos EUA para conseguir mais um feito. Consegui autorização e apoio de todos os lados (TTU, Agro, Capes) para poder ficar mais um semestre aqui nos EUA. Vou ficar aqui no Texas até Junho de 2010 aprendendo sempre e mais. Estou muito feliz pelo feito e muito grato pelo apoio principalmente de meus professores aqui e do meu coordenador ai na UFRGS, professor Emerson Del Ponte, que sempre acreditou em mim e no meu potencial e principalmente tem confiança na minha pessoa. Obrigado Prof. Emerson!! O professor Aderbal e o professor Christian que também me incentivaram a ficar. Pai e mãe muito obrigado também, pois sem vocês não seiria po$$ível ficar aqui (he.he).

Bom, vamos ao "relatório técnico" :

Desde que cheguei aqui no Texas tenho procurado aprender e obser var ao máximo tudo que posso. Por essas andanças tenho observado aspectos, técnicas e manejos que, alguns, meus olhos julgam "errado" (baseado no meu background). Felizmente sempre (e principalmente quando estou fora do meu ambiente) tenho em mente a máxima que "temos dois olhos e duas orelhas para observar e escutar bem e mais, e apenas uma boca para poder falar menos". Com isso tenho formado muitas novas opniões sobre aspectos que julgava saber algo. Quando cheguei aqui me falaram em manejo das pastagens por fogo. Na hora pensei "mas que coisa arcaica!! Como podem ainda fazer esse tipo de manejo?". Em uma das aulas com a Dr. Allen perguntei por que essa "adoração" pelo fogo que o pessoal tem aqui (existe uma cadeira aqui na faculdade que se chama "fire ecology"), ai ela me fez pensar um pouco sobre a região onde estamos (semi-árido, chove 400 mm por ano, plano e ventoso) e sobre eventos naturais e históricos. Tendo isso em mente, vê-se que o fogo se faz presente desde os tempos antigos, se não por eventos naturais por ação do homem nativo que habitava a região (tempo de retorno de 6 anos ou menos). Mesmo sendo pelo homem, há bastante tempo para a seleção e adaptação das espécies ao manejo por fogo. A quantidade de folhas senescentes que se tem nas pastagens aqui não é muito grande mas mesmo assim havería acúmulo de material morto na superfície, pois a taxa de decomposição é baixíssima (não tem humidade suficiente). Tendo em vista isso, é fácil para que se inicie fogo. Por experiência própria a Dr. Allen ela nos contou que colocaram fogo num experimento e tinham umas bandeirinhas plásticas (que usam para marcação de linhas de trasmissão de energia, água...) e que o fogo passou tão rápido que havia bandeiras que não foram queimadas. Esse é o tipo de fogo desejável, rápido, pois assim não queima a superfície do solo. É muito importante o entendimento do ambiente e dos fatos que constituem esse ambiente para que possamos entender o manejo, as utilizações e principalmente, para que formemos conclusões sobre o que estamos vendo. Felizmente guardei meus pensamentos para mim mesmo e não falei para ninguem que faziam manejo "errado". Se aprende muito por aqui!

No início de novembro estive com o Rodolfo (um amigo de Campina Grande, PB, que veio fazer umas pesquisas de mestrado aqui) em uma fazenda de um cara que conheci em um jogo de Football aqui na Tech. Wade Davis é engenheiro de helecóptero e nas horas que pode é fazendeiro (assumiu a fazenda do pai há alguns anos quando ele faleceu) e lá tem mantido um rebanho de novilhos certificados (hormone and medication free) para recriar (400 até 800 lb)e vender aos confinamentos na volta. Interessante foi o método de compra dos animais: existe um site na internet (http://www.superiorlivestock.com/) que tu anuncias animais para venda e dá as características; tudo tem garantia; o comprador acessa o site e procura o que mais lhe agrada; existe um representante deste site em cada região (em vários estados dos EUA) que avalia os animais para venda e acompanha a chegada e inspessão dos animais comprados; se há algum fora do padrão o site se compromete em repor o animal ou repor o dinheiro. Muito interessante o método e, segundo Wade, é muito confiável e nunca teve problemas. No dia que estavamos na fazenda dele ele esperava uma carga de animais vindos do Wyoming (19 horas de estrada) que foram comprados para fechar com as características dos animais certificados que ele já tinha pastando. Com essas certificações ele consegue até $10 (se não me engano)a mais por cada 100 lb de peso vivo (cwt). Ele cria os animais com feno (red top) e pastejando trigo.

Outro final de semana depois fui visitar o sr. Sammy Brown, dono do Brown Feeders, em Friona, TX. Conheci ele em uma reunião do Texas Cattle Feeders Association que fui em Amarillo umas semanas antes da visita. Muito atencioso, me mostrou o confinamento de 5000 cabeças que tem para preparação dos animais para confinamentos maiores. Ele faz esse serviço pois em confinamentos grandes há um custo maior de tratamento dos animais, por isso fazer acordos para alguem fazer essa primeira etapa de mudança de ambiente e alimentação (depois de desmamados). De novo me chamou a atenção a mão-de-obra utilizada.. Na propriedade são só um vaqueiro e um funcionário para alimentar os animais contratados e mais o dono e a esposa. O pessoal mete a mão na massa mesmo. Andando pelas baias ele me mostro diferentes padrões de qualidade de animais (diz que há alguns lotes provindos de estados onde até 30% dos animais adoecem, outros não chega a 10%). Outro dado que confirmou das aulas e de outros confinamentos que visitei é o problema com Charolais. É problema no confinamento (para engordar) e difícil de passar adiante também. Os animais Angus e Hereford cruzados com outras raças são os preferidos dele. Me agradou bastante do amochador que eles usam (foto) que é a gás e nunca esfria (o amochador é a gás, não precisa de aquecedor). As mascas em geral são todas elétricas. As pistolas de vacinação eram colocadas em uma bandeja de pintura com uma esponja embebida em solução desinfestante. Achei bem boa a ideia, pois acaba com aquele negócio de por a pistola direto na mesa e de bater a agúlha (que acaba perdendo o fio). Além disso creio que ajuda em manter a higiene.

Outro feito também foi que fui à fazenda do meu amigo Chris

Ashbrook acompanhar e participar do final da colheita de algodão - strip cotton (as fotos não são da fazenda dele). Bem interessante! Estava com receio de que não participaria de nenhuma colheita de algodão aqui (quase inaceitável estando numa das regioões maior produtora do produto no mundo).

Na ida para o Brown Feeders cruzei por um confinamento de ovinos. Quero ver se consigo voltar lá para visitar. Outra coisa que vi interessante foram os silos (para silagem) aqui. Quando fazem a silo compactam bem e não colocam lona por cima: chove tão pouco durante o inverno que não é uma grande preocupação com possíveis perdas por umidade. Na Argentina eu já tinha visto isso, mas lá estragava um pouco mais, por que chove mais, mesmo assim o segredo (sempre) está na compactação. Se tiveres um silo bem compactado com ou sem lona só há perada de uma pequena camada superficial.

Muito obrigado Wade Davis, Sammy Brown e Chris Ashbrook pela oportunidade da visita.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Meus pêsames

Foi com profundo pesar que recebi a notícia do falecimento do nosso querido Ir. Firmino Biazus. Sei que é um momento de muita tristeza para a comunidade Marista e também para a comunidade de Porto Alegre, pois ele era uma pessoa cuja influência ia além dos portões da escola, mas também creio que agora é um momento de refletirmos à respeito de toda a obra que o Irmão Firmino deixou durante seus vários anos como membro desta congregação; cada marca que ele deixou na vida de todas as pessoas que passaram pelo Colégio Rosário durante esses anos; cada voto de felicidade e prosperidade profeciado aos alunos do fundo do seu coração. Me alegra lembrar de ver a emoção dele diante de qualquer conquista de algum de seus alunos. Ainda hoje me lembro do espanto que tive quando o Ir. Firmino, pessoalmente, foi à Feira do Livro de Porto Alegre me saludar quando lancei meu livro e de ver a felicidade nos seus olhos por estar diante de mais um Rosariense conquistando um sonho. Não posso esquecer também da sua acompanhante no momento: a inseparavel e inigualavel Genô. Lembro das Semanas Farroupilha no colégio onde ele sempre vinha juntar-se à nós na roda de chimarrão e ver como tudo estava andando. Enfim, muitas memórias, muitos momentos belos que me vêm à recordação agora. Fico sentido pela partida mas muito feliz por ter conhecido e convivido com essa pessoa tão especial. Apamecor 017 Marcelo_e_Bento_no_palco_com_Ir_Firmino

Aos meus amigos, professores, coordenadores e colegas meus profundos pesares. Lastimo não estar com vocês neste momento difícil, mas sempre estarei presente de alma e coração. Ao Colégio Rosário meus profundos sentimentos,

Marcelo Wallau, Lubbock, Texas, 04 de dezembro de 2009.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

The beef issue, food market and feeding

Last Thursday I went to the Texas Cattle Feeders Association Annual Convention, in Amarillo, TX. One of the topics that most caught my attention was the speech provided by Forrest Roberts, NCBA (http://www.beef.org/) CEO, talking, among other subjects, about challenges for the future in the beef industry. Continuing there was another speech provided by Jim Wiesemeyer, from Washington, and also spoke about changes that the beef industry will probably have to face in the next few years.

In one of the speech it was shown a report published in the Time Magazine (August 31st, 2009) by the headlines of “Getting Real About the High Price of Cheap Food”, written by Bryan Walsh (http://www.time.com/time/health/article/0,8599,1917458,00.html). This article talks about the “way of producing” livestock and the riskiness of producing and consuming non-organic foods. Take a look in the tag or in the pictures bellow to check the report. Considering that this magazine has a world wide circulation, and worst, among people that have never been to a farm before, that don’t know the reality about how animals are raised, this is one of the most aggressive propaganda against the meat sector. Not that what is sais is a lie, but it to generalized to take it as a true for all farms.

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The marketing against the “factory farm” is huge (not just this one that I cited, but several other that occurred along the last years). I, personally, do not think that those farms are the most beautiful thing in the world (I do prefer grazing than feeding), but we still have to feed this same world. And how? Producing food, producing quality and quantity, so there will be a chance for people that do not have access to organics to eat. I agree perfectly that we need to have more careful with animals welfare and have a more conscious way of producing. The point is that people take such examples as the reality of all single farms around the world. Would be nice if we all could produce in grazing, even because the cost of production is much lower, but imagine finding pastures for 100 million head that US have nowadays.

The way that people produce here in US is turning into a too expensive issue. It is a fine balance between profit and losses. Heavy incentives from the government are added to the piece of beef that is eaten everyday. Feedlots are delivering animals everyday to the slaughter, corn is steam flacked for feeding those animals and the chain goes back to ethanol, to distillers grains, to corn and soybean that can be used to human feed (not that this affect much the human feed industry, but imagine all the corn that goes to the feedlots nowadays going to barns to feed people; they can probably stop planting corn next season because the market will be overfilled with the product).

Facing the growing of the East (particularly China and India), more grains will be required, meaning more corn and soybean, what will make the prices (probably) skyjack. According to Wiesemeyer this will be one of the biggest reasons for the feeders change the feed basis and return for grazing. Allied to that will be the income with Carbon Credits generated from the pastures (and now we talk about a sensitive organ from the human body: the pocket). Those two reasons will incentive the “setback” of the cattle industry. I particularly do not agree that will be a regression, but a change in the way of producing. And, yes, the prices will increase too, probably.

But linked to that is all the marketing against beef (and now also poultry and swine) eating. Behind all this is the appeal for the unhealthiness of consuming this products. Again, because of the lack of knowledge people trend to reduce the consume or even banish it from their houses. The beef industry in US is playing hard against this “bad marketing” of meet and invested a lot in reversing the situation, telling people that the villain is not the beef, but normally the way that it is consumed.

The beef industry has a hard way ahead. Rebuilt the consumer trust by telling them their history, showing the sustainability of the beef supply chain and being prepared for the changes that are coming ahead.

Another issue regarding changes in beef industry (discussed in class with Dr. Allen) is how the consumer will face a different kind of beef, because the texture and taste of the beef and color of the fat are different, due to the grazing (diet). The American consumer is used to the feedlot finished cattle, more tender and white fat. So it will be a big change to the grazing finished beef. It might (if the changes in diet happens) take a while to the market to accept this new product.

Still talking about market, other point (discussed in class with Dr. Pond) is about the boundaries barriers settled by several countries against our meet (meaning our in Brazil and here in US). It is more a marketing regulation tool than care with health (sounds that is unhealthy, but is not what I mean). Even though, nowadays the European consumer is the one that dictates the rules of producing and all the world follows those rules, being in consuming or being in producing, because nobody wants to lose that powerful and rich market.

On the other hand, most people that support and produce organics (talking about Brazil) are the same that condemn the systems, the capitalism and everything that they can be against. The only cons is that their costumers are, mostly, people with medium to high income, that have extra money to afford buying a (most of the times uncertified, meaning about Brazil, because I don’t know how certification works here in US) organic product. Not that I am against organics, far away from that. But I think that we need to have a better overview of all chain before criticizing. Organics are normally (depends on the producer) good, healthier, tastes better and all qualities that we know. We should eat more locally, incentive producers in our community, try to find a better way to deal with hunger (that from my point of view we do not have a food crisis, we have a distribution and interest crisis). I just think that those products must be better regulated, need some rules for produce. Otherwise anybody can produce anything and say that is organic. And, careful, we can not associate always just the fact that is organic with a healthier product.

Summing up, from a Brazilian perspective, we are producing a different type of beef. A grazing produced beef. This is good for us, give us a better position in international market (even because our cost of production is low). Are we a step ahead? It is hard to say, but probably yes. What are the next rules? Nobody knows. Depends how the market will behave.

For this report I joined subjects discussed in class with Dr. Pond and Dr Allen, part of F. Roberts and J. Wiesemeyer speech, data from Time magazine and my own opinion.”

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Hopper’s Farm – Petesburg, TX

Já fazia um tempo que eu estava para ir visitar a fazenda do irmão do Dr. Hopper, Ronny, e não tinha a oportunidade. Na última sexta-feira (dia 23/10) Thomas e eu fomos à Petesburg para fazer essa visita. Thomas é um dos alunos da Tech que vai para o Brasil ano que vem, fazer parte do mestrado dele conosco lá na UFRGS, e o pai dele trabalha nessa fazenda que nos fomos visitar.

Não tive a oportunidade de conversar muito com o proprietário, mas o filho dele, Arn (com  quem trabalha em parceria), nos recebeu muito bem. Conversamos muito além das cerdas da propriedade e entendi um pouco mais o estilo do pessoal aqui.

Uma coisa que me chamou muito a atenção na propriedade foi a organização em tudo, desde peças para reposição, maquinário, ferro-velho, documentação e tudo mais. Isso ajuda na otimização do tempo de serviço, eles não tem que procurar nada pois sabem onde está e se precisam carregar alguma coisa é só pegar a empilhadeira e colocar no reboque. Ferro-velho não se vê muito, como eu já tinha comentado de ter visto em outras propriedades. Quando entramos no galpão de peças e oficina (é mais que um almocharifado) me impressionou a quantidade de pratelerias com gavetas e todos os tipos de peças e equipaentos como torno e solda necessárias para quaisquer reparos. O argumento para tamanha infraestrutura e estoque é que leva muito tempo para ir à cidade, buscar uma peça que falta e voltar (cerca de 30 a 50 minutos), além do combustível gasto e de alocar uma pessoa para fazer isso. Parece pouco, mas é um tempo perdido importante se considerarmos época de colheita, ainda mais que eles fazem colheita para outros fazendeiros na volta.

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As terras da propriedade não são todas juntas, isso dificuta a logística, então fica complicado de terem que votar ao galpão para fazerem reparos. Por isso, para facilitar ainda mais, eles tem uma van-oficina, com aparelho de solda, gerador e outras ferramentas, e ali carregam tudo necessário para reparos a campo. Outro aspecto distinto da propriedade é o aproveitamento de materiais. Tudo o que pode ser reutilizado é estocado e restaurado, se não tem mais utilidade é vendido para outras pessoas como peça usada ou para ferro-velho. Arn está sempre procurando materiais que possa comprar por preço barato para reutilizar. Uma das últimas aquisições foram canos galvanizados de um antigo poço, que ele planeja utilizar para fazer mangueiras para o gado (embora no momento não tenha nada de animais).

Em meio a uma das conversas Arn me disse que um das grandes fontes de renda para eles é colher algodão para os outros, pois o algodão de eles plantam não gera uma entrda considerável, que se não fosse pela tercerização de serviços nessa área, não teriam resultados com o setor. É interessante rever alguns pontos sobre isso, pois ele não foi a primeira pessoa a me dizer a mesma coisa. Considerando isso, na mimnha opnião, o produtor de algodão segue fazendo plantando pois: 1) ganha subsídeos do governo (o que parece que está por mudar); 2) já é uma tradição e não quer parar de plantar, até por que “não sabe fazer outra coisa”; 3) tem renda não-agrícola, ou 4) tem medo de mudar de setor no mercado, mudar o tipo de exploração, por desconhecimento, falta de força de vontade ou (uma aspecto que me chamou a atenção) por incerteza na sucessão. Os gastos com algodão são bastante altos (vou pesquisar a respeito disso um pouco melhor para poder colocar alguns números), entre eles o gasto com energia elétrica para irrigação corresponde a aproximadamente 40% do total.

Nessa propriedade eles também plantam milho irrigado, uma lavoura não tão comum aqui nessa região por causa da escacez de água. Eles chegam a aplicar 20 a 22 polegadas (mais de 500 mm) de água no milho. É de se pensar a respeito da sustentabilidade e rentabilidade desse cultivo, pois aqui muito se fala da superutilização do Aquífero Ogallala (abaixo vou colocar alguns links com informações sobre o aquífero), que vem apresentando redução no nível estático de água durante esses últimos anos. Mas, todo o caso, me disseram que era uma cultura rentável para o nível tecnológico que eles usam.

Irrigação é impressionante aqui em toda essa região, até por que sem ela não se produziria o tanto que se produz de algodão (20 a 25% de todo o algodão dos Estados Unidos só nessa região em cerca de Lubbock) e nem outras culturas como o sorgo granífero, alfafa para feno e um pouco de trigo. Nessa propriedade há uma rotação de áreas em baixo dos pivôs, ou seja, todo o ano tem pivô que fica parado ou subutilizado. Isso se deve principalmente à capacidade de suporte do aquífero. O maior pivô que eles tem na propriedade é de um pouco mais de 3/4 de milha (mais de 1200 metros), que aproveita cerca de 65% da área (80 hectares), e não mais por causa de uma estrada que corta a fazenda. O custo de implantação desse pivô, segundo o dono, é mais ou menos a metade do que seria normal, devido à área abrangida (U$250, apriximadamente).

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Ainda sobre algodão, notei que quase sempre as linhas de plantação são curvas, mesmo não estando em baixo de pivô central (aqui também tem irrigação subsuperficial por gotejamento, que inclusive o governo paga metade dos U$1.000 por alqueire, e algodão não irrigado). A resposta pude presenciar no domingo passado quando voltava do Novo México quando enfrentamos uma tempestade de poeira. A erosão heólica aqui é muito intensa, então o plantio em curvas evita que o vento ganhe intensidade nas entrelinhas (que por sinal quase sempre descobertas) e eroda o solo, além de que a poeira “queima” o algodão (suja), diminuindo o valor de mercado.

Essa também foi uma das poucas propriedades que fui que se faz “plantio direto” (pelo que entendi é mais um cultivo mínimo), com rotação de culturas. Se não me engano, eles fazem uma aração a cada 3 anos (a justificativa é o manejo de nutrientes, não entendi muito bem o propósito). Em conversas com outros fazendeiros aqui, perguntei por que não faziam o plantio direto, as respostas eram variadas, do tipo: por causa do manejo de daninhas, por que não é eficiente, por que sempre plantaram no convencional, outras que não lembro… Mas quando perguntava sobre cultura de cobertura sempre me diziam: “não plantamos nada de cobertura para não gastar água”. Não achei uma razão boa para não colocar cobertura, pois muitos deixam o solo descoberto e há uma perda grande por erosão heólica, perda de nutruentes por escorrimento (não tão importante por que aqui é muito plano, mas o solo é argiloso), e materia orgânica creio que não deve ser maior que 0,5%.

Nessa propriedade o Arn me disse: “eu faço plantio direto e tenho sempre cobertura por que assim consigo colher o máximo possível de água da chuva, já que a matéria orgânica consegue absorver mais do que seu peso em água e estocar para a próxima cultura, isso me diminui bastante a necessidade de irrigação. Quando planto algodão sem irrigação ou sorgo sem irrigação, esse estoque de água da MO é a fonte principal para a cultura, já que as chuvas são escaças. Quando chove (e geralmente a intensidade é grande), consigo absorver o máximo dessa precipitação.” Interessante ponto de vista…

Gostei de conversar com o Arn pela visão de negócio que ele tem. Infelizmente notei (e já havia percebido em outras conversas com outros prorpietários) o quanto o pessoal é restrito ao local onde vivem. Não querem sair, não conhecem muito à volta. Espero estar enganado, mas ao que parece, mara muitos mas não generalizando, que o que importa é o que eles tem à volta, não importa os outros estados, quanto menos outros países. A impressão que dá é que falta uma visão de mundo. Mesmo assim, o nível de trabalho e tecnologia é muito alto, e, mais interessante, quem trabalha na propriedade são os donos (creio que já falei isso, mas reforço) e um ou dois funcionários. O pessoal sobe mesmo para as máquinas.

Bueno, acho que é isso! Assim que der volto a escrever!

Abraço a todos!

 

Mais informações:

Aqui tem um trecho da introdução de um artigo da Dr Allen (2004)  sobre sistemas agrícolas aqui na região:

“CONVENTIONAL MONOCULTURE AGRICULTURAL SYSTEMS can reduce the quality of soils by loss of organic matter and structure because of low levels of organic inputs and regular disturbance from tillage practices. Cotton produced in the Texas High Plains region has been under continuous monoculture and conventional tillage systems that contribute to wind-induced soil erosion and reduce organic matter of these semiarid soils (V. Allen, unpublished data, 2004). Besides loss of quality in soils under continuous monoculture cotton systems, there is concern that irrigated cotton is using water from the Ogallala aquifer at rates that exceeds the water recharge. Thus, recent efforts are focused on developing integrated cotton cropping and livestock production systems that reduce water withdrawn from the Ogallala aquifer and that provide more conservative sustainable agricultural practices”

http://soil.scijournals.org/cgi/content/full/68/6/1875

Mais informações sobre o Aquífero Ogallala estão disponíveis nesses sites: http://en.wikipedia.org/wiki/Ogallala_Aquifer; http://www.waterencyclopedia.com/Oc-Po/Ogallala-Aquifer.html

 

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Há um ano…

Há um ano Claudio, Bento, Jorge, Carlos, Leôncio, Gisela, Ricardo e eu corriamos contra o relógio para poder-mos terminar a tempo uma obra que deixou todos orgulhosos quando finalmente ficou pronta. Se não fosse pelo esforço e dedicação de todos, dando o melhor de sí e, principalmente, colocando o máximo de carinho em prol, não sei no que teria saido. Ou melhor, não teria saido. Mas como o “se” não existe, aqui estamos, todos muito contentes e recompensados com a trajetória que foi traçada. DSC08996

(Na foto, da esquerda para direita: no fundo Claudio Strüssmann e Bento Brochado; na frente Marcelo Wallau, Leôncio Severo, Carlos Wallau e Jorge Figueras)

Falo do livro "Tropa de versos - meus olhos de ver o mundo…" que dia 6 de novembro faz um ano que foi lançado na 54ª Feira do Livro de Porto Alegre. Essa conquista tem me trazido, e acredito que a todos que participaram, muita alegria e orgulho, pois assim deixo meu rastro marcado por onde passo. Imagino que daqui a pouco eu volte a escrever de novo, quem sabe no quinto ou quinquagésimo ano do lançamento, e aida vá refletir tão ou mais intensamente a alegria que esse meu primeiro livro traz!

Convite Lançamento do Livro

Já o fiz inúmeras vêzes, mas não canso e repito: quero deixar um muito obrigado à essas queridas pessoas, irmãos de alma e de princípios, que me apoiaram e me amadrinharam nessa trajetória. Muito obrigado por acreditarem no meu potencial e seguirem até o fim comigo nessa estrada, que além das pedras que encontramos mais facilmente, todos os dias me entrega flores, pessoalmente. Sem vocês não seria capaz de chegar a esse resultado.

Um grande abraço!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Lubbock Feeders - Feedlot

Here there is some information regarding a visit to Lubbock Feeders (http://www.lubbockfeeders.com/) that I went with the feedyard management class on September 29th.

The Lubbock Feeders is located close to the city of Lubbock, in a strategic point close to the rail road and some highways. Their capacity is 45,000 hd at the same time, what would mean 99,000 hd per year. By the time that we went there were 25,000 hd being fed. The animals are preferentially Mexican cattle and crossbreed, because of the adaptation, conversion ratio and easiness to sale. There were some Braford in one of the pins, but mostly they are a mix of colors. The most difficult animals for sale are the Charolais. 

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The animals are feed once a day, preferentially in the same time every day. The routine helps the cattle to get adapted easily to the feedyard and improve gain. If they take too long to feed the animals get more stressed.

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Feed is flecked corn basis, with distillery residual and supplementation with micro ingredients and roughage (hay). The distillery residual is difficult to manage because has high humidity (means that they are buying water too) and needs to be used in the same day.  They are able to make 400000 tons of feed per day. The facilities are 3 corn fleckers and 2 big mixers. The feed is delivered by trucks in, normally, at the same time every day. The feed production per day is about 1 million pounds.

There is no shade for the animals in the pins. There are two kinds of pins: one with a dirty floor and other with concrete floor. In the pins there are the bucks and the water tank as well as an irrigation system (sprinkler) that helps to maintain the temperature comfort and keeps the dust down.

There are 20 employees working in the feedlot. They are responsible for everyday operations, such as feeding, taking care of ill animals, cleaning and moving cattle when needed and managing. There are more 2 hired professionals that assist the feedlot: one nutritionist and one veterinary. Daily observations consist in looking for animals that present atypical behavior indicating illness or problems in adaptation to the feedyard or the feed. If there are any animals with problems they are take to some facilities that are located in the middle of the feedyard that are called hospitals and they are kept there receiving special cares. The responsible for taking care is called “doctor”.

The mortality is about 1% in spring and summer time and 2% in winter an fall time. This difference is, probably, due to the climate changes during the winter (what was explained by the manager), even though they do not have a too cold winter, so there are probably other more factors included in this indices. Probably because the age of animals when they come to the feedlot (after wean) joined to the low temperature and stress due to the new feed and environment.

The budget for running the feedlot is US$25 million (and according to the manager is not one considered big, Cargill’s for example is about $400 million) and the margin that they have to deal is very short and sometimes they run out of money too. This is not considered a very big feedlot. The fly control costs US$15,000.00/ year and the control company goes to the feedyard once a week to verify and make the control.