



"Alma, vida e poesia, tempo e pessoas queridas! Jornadas de tantos suores e de tantas alegrias!"
Caros amigos!
Bem vindos ao meu fogão virtual. Aqui vou manter atualizado sobre minhas andanças, fotos e trabalhos novos que venho escrevendo. Convido todos a participar, deixar recados e mandarem e-mails se quiserem!
Um grande abraço a todos e boa viagem por entre essas linhas...
A lua que nasce vermelha
num céu de recuerdos
E traz lembranças mais tenras
do meu grande amor
E cheia, as carícias me lembro
num tom de silêncio
De rubro se tinge o céu
num amar esplendor
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A lua que me traz notícias
nas sombras ocultas
Mistério de nuvens e estrelas
que guardam em fim
Dos montes e pampas que trazem
sussurros apenas
Ecoa a voz de lampejo
profundo, bem dentro de mim
Sentei às margens do tempo
Para ver as horas ‘passar’
Fiquei olhando os minutos
Como ondas vindo no mar
Nas nuvens os pensamentos
Carregados de inusitado
Vivendo o futuro momento
Com os olhos no passado
Enquanto faço minhas rimas
O perco de vista a frente
De ansioso passo em cima
E o perco novamente
Na paz de um papel rabiscado
Guardo minha alma e segredos
Me acalma os nervos atados
Quando às letras dou os dedos
Com os olhos sempre atentos
Aos passos que as horas passam
Observo os movimentos
Pra ver se atraso o compasso
Se dos versos faço rio
No tempo pouso seguro
Cura os males do passado
Me tráz de volta o futuro
Pra que entender do tempo
Se nem nos versos me acho
À sombra d’um poema sento
E os segundos assim relato
Mas inflexível e sorrateiro
Vai passando, quieto, atrás
O tempo que fora d’outros
Não envelhece jamais
Porto Alegre, 2 de dezembro de 2010
Coloreou-se o céu em fim de tarde
O rubro se confunde com a estrada
Um quero-quero voa alegre em rebeldia
Tendo o mundo só para si, e mais nada...
As roças se mesclam entre lindeiros
No lusco-fusco pressagiando noite clara
A vaca berra, procurando seu terneiro
Que vem correndo, e pela chuva logo esbarra...
De rosilho transformou-se o céu mestiço
Num encarado prenunciando um bom tempo
Na volta às casas vem um piá no seu petiço
Junto da ceifa que há pouco estava colhendo
O ocaso que por belo, só encanta
Se mistura à liturgia de um amor
Essa paixão que o campeiro tem do campo
Que por agrado fez ali seu vertedor
A natureza que por bela nos ensina
O quão pequeno que somos ante ao todo
A precisão de processos e enzimas
E a força d’água da Garganta do Diabo
Na mata, que por virgem espreitam lendas
A pintada fez ali seu parador
Nos que ousamos tomar conta de sua casa
Às vezes nos pega por susto ou por temor
Já bem mais tarde, quando o céu se borda todo
Vejo o cruzeiro mostrando o rumo pro sul
E as Três Marias que carregam o meu sonho
De ver paz sob este mando azul
De manhã cedo os cantos em sinfonia
Se juntam ao cheiro das matas e de flor
Pois o jasmim me traz cheiro de esperança
Quando procuro nos meus rumos arpoador
Quando dou conta, germinaram muitos sonhos
Muitas idéias e vontades com vigor
Sigo andando peregrino por caminhos
Vou buscando para a vida vertedor
Se ando errante busco paz, entendimento
Assim vou vendo o que a vida reservou
Se o destino propuser vou aprendendo
Rodando o mundo, sem medo, assim me vou
Vejo que o rumo, aos poucos, negaceia
Peso meus planos, já é hora de voltar
Deixo aqui um manto enorme co’minhas ânsias
Para um dia quando possa regressar...
Fazenda Toca da Onça, Toledo, PR, 22-fev-2009